Entrevista com o Prof. Adriano Moreira

O líder histórico do CDS acredita que Portugal tem duas saídas: uma é a CPLP, a outra é o mar e a plataforma continental estendida

Histórico do CDS, faz 92 anos em Setembro e mantém a genica e as ideias como se a idade não pesasse. Adriano Moreira, estadista, ex-deputado e antigo ministro do Ultramar, recebeu o i no seu gabinete na Academia das Ciências de Lisboa, no dia em que a Guiné Equatorial entrou para a CPLP. Um erro, na sua opinião. Uma conversa que deu a volta ao mundo.
Vários professores estão hoje a manifestar-se contra as avaliações. O seu protesto é outro. Quer contar?
O governo publicou uma lei que proíbe o trabalho gratuito e eu escrevi uma carta a dizer o seguinte: o governo tem poder para revogar os contratos, mas a minha educação obriga-me a levar até ao fim todos os compromissos que assumo. Vou continuar a dar aulas de graça.
Teve resposta?
Não.
O que acredita que vai acontecer?
Já houve uma série de protestos e o governo vai ter de revogar a lei. As próprias instituições estão a protestar. Tenho aqui uma tese de doutoramento que tenho de orientar e os cavalheiros vêm dizer-me que perco a reforma por fazer isto de graça. Então já viu isto?
Como responde aos que dizem que, com a falta de emprego que existe, é justo que deixe o lugar a outros?
Não têm razão. Estas funções não ocupam lugar no quadro de serviços. Trata-se de uma doação. As universidades não andam a convidar toda a gente, dá muito trabalho e é preciso ter determinada competência, não estou a tirar o lugar a ninguém. É uma coisa inacreditável a maluqueira que isto representa. Isto são os cabelos grisalhos que pesam a esta gente.
Que peso é esse?
Esta questão começou devido à atitude que o governo tomou contra o Estado social que, naturalmente, está carregado de cabelos grisalhos, com o problema das aposentações. Compreendo que a enorme crise em que estamos mergulhados do ponto de vista económico e social diminua os recursos do Estado e seja necessário tomar medidas. O Estado social, na Constituição portuguesa, é uma principiologia, por isso se diz, com cuidado, que o ensino e a saúde devem ser progressivamente gratuitos. A resposta que se é contra o Estado social porque não há dinheiro implica a pergunta se também não há princípios.
E há princípios?
Quem luta para acabar com o Estado social não tem, pelo menos, os princípios que presidem ou presidiram à sua criação. A primeira Declaração Universal dos Direitos do Homem diz que “todos os homens nascem com igual direito à felicidade”. Mas tinha vírgulas: os nativos não, os escravos não, as mulheres não, os trabalhadores não… E tem levado algum tempo a apagar estes nãos com uma série de combates cívicos, por vezes com recurso à violência. É necessário garantir os direitos para que todos construam em liberdade o seu futuro.
Essa plataforma está comprometida?
Sim. Vivemos nesta espécie de neoliberalismo que começou a ganhar o Ocidente e que se tornou extremamente agudo depois da queda do muro de Berlim – e que é muito confundível com o neo-riquismo -, e que, atacado pela crise em que estamos, se transformou num neoliberalismo repressivo, com a multiplicação de sanções, de aumento de impostos, de restrições, etc. Sou contra o neoliberalismo repressivo.
O governo tem alternativa?
Isso não é uma política que o governo português possa fazer sozinho, por isso se fez a União Europeia. A questão da unidade europeia não é de depois da guerra, tem séculos. A organização ocidental, no que diz respeito à Europa, está a enfraquecer. E não é o pluralismo das línguas que faz com que não haja afinidade de sentimento, que só aparece em tempos de guerra. São todas as políticas, incluindo as portuguesas, que afectam a unidade de sentimentos, os afectos. É o corte de confiança entre governos e populações que dá origem a tantos movimentos, não só reaccionários mas também aos que não são coordenados pelos partidos ou sindicatos, que está a fazer voltar o sentimento das pequenas pátrias.
Está a referir-se às regiões que querem a independência?
Infelizmente, as pequenas pátrias estão a querer mostrar-se e isso começa por afectar a unidade dos Estados onde estão e, depois, a unidade europeia. Está a acontecer em Espanha, em França, na ilha onde nasceu Napoleão [Córsega] e talvez na Bretanha, em Inglaterra com a Escócia, no sul de Itália… É um problema que exige o maior dos cuidados. Se cada uma das pequenas pátrias se transformar em Estado – como aconteceu com a Bélgica, por exemplo -, é preciso transformar a UE.
Aquilo que se está a passar é um efeito perverso da democracia e da globalização?
O que aconteceu foi que os valores instrumentais foram, a pouco e pouco, substituindo na hierarquia os valores fundamentais. O êxito passou a ser a recompensa, o credo do mercado passou a substituir o credo dos valores, com a filosofia de que a iniciativa privada em liberdade é responsável pelo progresso e pela abundância, quando uma coisa não é incompatível com a outra. A crise que vivemos, que é ocidental e geral, mostra que o credo do mercado passou a ter uma vida independente do credo dos valores, e essa é a correcção que deve ser feita.
Temos quase nove séculos de história conhecida. Temos isso em saber?
Tivemos duas guerras mundiais no século passado que puseram um ponto final numa coisa a que eu chamo o império euromundista, no qual participávamos por causa das colónias, não por sermos um grande poder militar. Verdadeiramente, o pensamento dominante era de que os nossos valores eram superiores aos das áreas dominadas e só depois da guerra estes valores foram confrontados. Neste momento, as Nações Unidas são quase um templo de orações a um deus desconhecido e a própria organização da governação europeia parece estar em pousio. A questão da Rússia está a mostrar que o diálogo entre culturas não deve ser baseado na tolerância, mas sim no respeito. A tolerância só é precisa para aquilo de que não gostamos.
A violência voltou…
A violência voltou e é absolutamente fundamental que seja substituída pelo diálogo. Há uma instituição que prestou um grande serviço nesta matéria e que está a ser um pouco diminuída pelo corte de recursos: a UNESCO. De cerca de 149 países, mais de metade não tem sequer capacidade para responder aos desafios da natureza: tsunamis, terramotos, inundações, pestes, guerras dos povos, privatização da guerra, cães de guerra… Tudo isto são obstáculos que não vencemos depois da guerra e a crise foi-se desenvolvendo até ao ponto em que estamos.
É preciso regressar à supremacia do credo dos valores, como foi o sonho dos fundadores da Europa e, antes disso, dos fundadores das Nações Unidas, ter a convicção de que a terra é a casa comum dos homens.
Para isso são necessários líderes. Temos líderes?
Julgo que um dos grandes males do mundo, da própria Europa e da crise em que está é que nunca mais tivemos líderes como no pós-guerra. A crise da liderança mundial é enorme. Excepcionalmente aparecem homens revestidos de santidade, independentemente da religião, como Mandela ou Gandhi, vozes encantatórias como as que quiseram construir a União Europeia, homens que viveram duas guerras, assistiram à total destruição de cidades e, em vez de transformarem o sofrimento em retaliação, construíram a união e a paz.
Que consequências tem a falta desses líderes?
Na Europa tem uma consequência gravíssima, a começar pelo aumento da distância entre os aparelhos do governo e as populações, a quebra de confiança e a falta de reorganização de valores que foram das gerações passadas, mesmo do ponto de vista político. Um exemplo: a fronteira, que era sagrada, tornou-se hoje num apontamento administrativo. Isto vale para Portugal. A fronteira económica e política chama-se União Europeia e a fronteira da segurança chama-se NATO. Nós, europeus, devemos meditar em riscos sérios que estamos a correr.
Que riscos são esses?
As grandes guerras começaram quase sempre por motivos fúteis. A Primeira Guerra Mundial começou com a morte de um príncipe, uma coisa que na Europa se fez desde sempre, e morreram 12 milhões de pessoas. A Segunda Guerra começou porque foi eleito democraticamente um sujeito que tinha escrito um livro em que ninguém acreditou, e custou 50 milhões de vidas. Nunca podemos estar seguros dos efeitos que têm acontecimentos como aqueles a que estamos a assistir. Mas há uma coisa que parece evidente: primeiro, que o caminho para Bruxelas passa por Berlim – a viagem tornou-se mais longa. Segundo, que houve sempre o conhecimento e o sentimento de que a Europa é um pedaço de terra que cabe em dois terços do Brasil e, quando o mundo se dividiu entre NATO e Varsóvia, estabelecendo um pacto militar e a ordem das Nações Unidas, apareceu a ideia da Euráfrica. Até me lembro de se discutir se indústrias básicas da Europa deviam ser instaladas em África. Creio que foi a única organização internacional que morreu sem certidão de óbito.
É demasiado tarde?
Neste momento, tem esta dificuldade: o Mediterrâneo está transformado num cemitério, o mundo árabe está numa convulsão, naturalmente a favor da democracia, que tem muitas variantes. Os povos do Sul continuam a querer emigrar para o Norte, enganados com a imagem de que ainda somos uma sociedade influente, consumista e rica. A Europa fez reaparecer o império romano: Creta, Grécia, Itália, Espanha, Portugal e um bocadinho da França.
O caminho percorrido pelos bárbaros é hoje feito ao contrário por desempregados à procura de trabalho. Como é que vai acabar?
A única coisa que consigo dizer, mesmo aos alunos a quem dou aulas – as que não foram proibidas pelo trabalho de graça -, é que o imprevisto está à espera de uma oportunidade. As previsões com certeza são impossíveis, as previsões com probabilidade são uma audácia e as previsões com possibilidade devem ser feitas com a convicção modesta de que pode acontecer outra coisa. O grande problema da emigração portuguesa é que é jovem e altamente qualificada; levam a capacidade científica e a disponibilidade para ter filhos.
De tempos a tempos, Portugal precisa de ajuda. Não nos sabemos governar?
Portugal sempre teve a certeza e a experiência, mesmo na grande época, de que precisava de apoio externo: primeiro da Santa Sé, a partir da segunda dinastia da Inglaterra; e, quando acabou o império, da Europa. Para ser seguro, para ter integridade, o país precisa de uma aliança externa que o apoie. Segundo ponto: Portugal foi frequentemente um país exógeno pela sua dimensão, ou seja, objecto de consequências de decisões nas quais não tomou parte. Terceiro: com frequência, Portugal reconheceu que tinha de procurar recursos fora do seu território, exíguo. Estas circunstâncias, com a crise europeia, com o reaparecimento do limes romano, com a crise económica e financeira, explicam a crise espantosa em que estamos.
Na Europa não é apenas Portugal que não tem voz…
Toda a Europa, penso eu, tem de aprender que, para chegar a Bruxelas, não tem de passar por Berlim.
Merkel é o maior obstáculo ou é também, de certa forma, a cola da Europa?
Ela é uma pessoa a querer olhar para o directório e, no passado da Europa, o directório tem uma história temível. A Alemanha é o país que toma a direcção, que se sente o supremo decisor. Sempre que isto aconteceu, desapareceu a paz.
Voltamos à questão da liderança.
O presidente Roosevelt ouviu todos os conselheiros de economia de Chicago mas, quando teve de intervir como estadista, fê-lo. Quando Churchill prometeu sangue, suor e lágrimas, sabia o que estava a dizer, não era economia que estava na boca dele, era o estadista que estava a falar. Os homens que fundaram a Europa, cujos países foram destruídos, invadidos, saqueados, também eram estadistas.
Isso significa que temos de ter uma guerra para voltar a ter união?
Precisamos de vozes encantatórias. Algumas têm responsabilidades políticas, outras não. Mas têm sempre mais qualquer coisa, o tal sentido estadista. É isso que não temos hoje na Europa.
Estamos a atravessar uma crise mundial e os organismos existentes com responsabilidades legais parecem não intervir: as Nações Unidas não reúnem o Conselho Económico e Social, nem se vêem…
O Conselho de Segurança, nestas questões, está a ser completamente ineficaz. Porquê? Porque a Europa é representada pela Inglaterra e pela França, quando devia ser representada pela União Europeia. Além de que a Inglaterra está num posição de entra-sai em relação à Europa, não faz sentido. Depois há alguma ilusão, quando se fala de crescimento só se fala na China. A União Indiana vai ter mais população que a China e tem uma grande cultura. Mas a China também já explicou aos Estados Unidos que o Pacífico não é só dos EUA, pôs um porta-aviões na água, mostrou a bandeira. Lembro o que disse Malraux: o século XXI ou será religioso ou não será. As igrejas precisam de retomar uma grande intervenção. Fui delegado das Nações Unidas e recordo-me de que havia um compartimento despido, com um banco de madeira à volta e uma mesa de pedra translúcida, com um fio de luz que vinha de cima. Era a sala de meditação para todas as religiões.
Vivemos uma espécie de anarquia?
É. Temos órgãos que não estão cobertos por um tratado, como é o caso do G20. Mas, apesar disso, de vez em quando parecem ter o poder do mundo. Ou então temos os centros de poder desconhecidos, como o sistema financeiro.
Voltando a Portugal… Estamos numa encruzilhada ou há uma solução?
Portugal tem duas janelas de liberdade: uma é a CPLP, a outra é o mar. A extensão da plataforma continental devia ter sido reconhecida pelas Nações Unidas em 2013. Já foi adiada para 2015 e talvez não se fique por aí. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia está a definir o mar europeu. Se isso acontecer antes de termos reconhecida a plataforma continental, é mau. Mas isto não preenche o programa de nenhum partido.
E quanto à janela da CPLP?
A CPLP tem na sua raiz um congresso das comunidades portuguesas organizado pela Sociedade de Geografia em 1964, em Lisboa, e em 1966, em Lourenço Marques [actual Maputo], do qual fui presidente. Mas quem efectivamente organizou a CPLP foi o Brasil. A plataforma continental precisa de uma grande sabedoria nas relações internacionais, financiamentos, etc., e o transporte marítimo começa a ter uma importância extraordinária, com riscos, assaltos, pirataria. Na CPLP, todos os países são marítimos, todos os países são pobres (excepto o Brasil). A minha ideia passa por uma frota comercial comum na CPLP – existem dificuldades jurídicas, mas fazemos tantas leis…
Como vê a entrada da Guiné Equatorial, aprovada hoje, na CPLP?
Considero inaceitável a entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Há estatutos para comunidades portuguesas que têm outras ascendências e que podem ser utilizados sem que o país adira à CPLP. A Guiné Equatorial ofende a natureza da CPLP e, por isso, os interesses portugueses.
O CDS fez 40 anos. O que é que o partido tem hoje de democrata-cristão?
A pergunta deve ser o que é que a Europa tem hoje de democrata-cristão… A não ser a senhora Merkel, que acha que é democrata-cristã. Quem fez a Europa foi a democracia cristã. E o socialismo democrático, mas os líderes eram todos democratas-cristãos. Em Portugal, o partido é pequeno, sempre foi pequeno. Por isso digo que temos de nos unir. As estatísticas, de que eu desconfio sempre, mostram que o número de crentes de igrejas institucionalizadas está a decrescer, mas o apelo à transcendência está a aumentar. É preciso que as igrejas tenham uma estratégia de intervenção, a tal ideia do secretário-geral da ONU: meditação para todos. Para que o credo dos valores seja outra vez superior ao credo dos mercados.
Coligado, o CDS tem sobrevivido. Sozinho ficará em crise?
Não quero falar sobre a vida concreta de nenhum partido, mas digo o seguinte: o país precisa de uma reforma constitucional porque o mundo português não é o mundo em que se fez a Constituição. Talvez a chamada reforma do Estado tenha mais problemas do que cortar gorduras. E está a conduzir o país para uma situação que traduzo nesta frase, que não é minha: a miséria está a expulsar a pobreza.
O que implica, para si, essa reforma?
É preciso reformular a Presidência da República e o Conselho de Estado. É necessário que os partidos revejam a visão do mundo, que é outro. E isso são os corolários que decorrem daquilo que tem de ser a boa gestão.
Qual a sua visão dessa reforma?
Um Presidente da República tem de ser visto e reconhecido como supremo magistrado da nação. Para isso é preciso que tenha mais capacidade de intervir. E, por outro lado, como tem conselho privativo, que é o Conselho de Estado, não tenho objecções a que lá estejam representantes institucionais ou antigos chefes de Estado, mas penso que não têm nenhuma necessidade de lá estar os representantes dos partidos, que pode ouvir quando quiser. Do que o Presidente precisa é de conselheiros com a tal voz, independentes. Isto dar-lhe-ia mais força e carisma.
Que este Presidente não tem?
Mário Soares teve, movimentou o país. Quanto aos partidos, sem atraiçoar as suas filosofias, precisam de ver que o mundo é bem diferente da data em que se constituíram.
O que divide os partidos ainda são filosofias?
Bom… Vamos ser bem-educados.
Quando se fala em mexer na Constituição, as pessoas têm medo de ficar a perder. Estão protegidas com a Constituição que têm?
O problema levantado em relação ao Tribunal Constitucional pôs em evidência o conflito mais inadmissível que apareceu na vida política portuguesa. O poder judicial é um poder democrático por filosofia, precisa do respeito total pela sua independência. Não se pode dizer que os juízes foram mal escolhidos. Eles são treinados para saber que os textos mudam de sentido conforme as épocas. Se alguma coisa contraria o governo, é a Constituição, não o tribunal que a defende. Isto aprende-se em qualquer faculdade de Direito. Tive um professor, Manuel Rodrigues, que também nos ensinava sobre a independência dos advogados, com o exemplo da convenção da Revolução Francesa em que, segundo dizia, um advogado fazia esta declaração: trago-lhes numa mão a verdade, na outra a cabeça. Peço-vos que disponham da segunda para resolver a primeira.
Qual é o pior vício do sistema?
Um dos piores vícios é a promiscuidade entre poder político e poder económico. Basta ver a composição dos governos e das administrações dos últimos 30 anos para verificar que há uma situação que não é admissível.
Como se quebra isso?
Primeiro, com períodos de nojo. A incompatibilidade absoluta é outra forma. Nenhum responsável político pode entrar ao serviço de empresas que tenham estado no raio de acção da área de poder a que pertenceu. Acabou-se. Quem tem responsabilidades financeiras não deve ter responsabilidades políticas – simples. Toda a interferência entre o poder político e o económico arruína a normalidade do Estado.

António Costa falou bem…mas fará igual ou pior que os outros

ANTONIO COSTA abriu a boca no último programa ” Quadratura do Circulo “.

«(…) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de “boys”, criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público–privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos… Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia.”

Tal como Passos Coelho, pena é saber antecipadamente o que fará se chegar ao poder…

O que se passa com o Presidente?

Existem forças “poderosas” que tudo fazem para que o país continue amordaçado, explorado, escravizado. Sugiro a leitura deste texto de Leonilde Santos, publicado no Notícias online, e que alerta para a situação dramática desta nação com a sua mais alta figura possivelmente afectada com a doença de Alzheimer.

http://www.noticiasonline.eu/cavaco-silva-mito-realidade-ou-volta-da-censura

O quarto Reich

[Este texto corre na Web]
O Quarto Reich

A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a PERDA DE SOBERANIA para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes.

Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas.

Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão.

Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria directamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados.

As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha – algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.

Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado “O Protocolo Budapeste”. No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto directório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia.

Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o directório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas – presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia.

Adam Lebor não é português – nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis.

Aliás, “não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter, durante muito tempo, diferentes ordenamentos jurídicos.”

Quem disse isto foi Adolf Hitler.

A pax germânica seria o destino de “um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas” – palavras de Giscard d’Estaing, redactor do projecto de Constituição europeia.

É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.

Qual o papel do Banco Central Europeu?

BCEQUE É O BCE?

– O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?

– O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.

E É MUITO, ESSE DINHEIRO?

– O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

ENTÃO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS ?

– Não, não pode.

PORQUÊ?!

– Porquê? Porque… porque, bem… são as regras.

ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?

– A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

AH PERCEBO, ENTÂO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.

– Pois.

MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÂO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?

– Bom… sim… quer dizer… em certo sentido… mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

AGORA NÃO PERCEBI!!..

– Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

MAS ISSO ASSIM É UM “NEGÓCIO DA CHINA”! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!

– Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO… COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS.

As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?

– Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?

– Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!…

– Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?

– Os nossos Governos… Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?

– Em certo sentido, sim, é claro, mas depois… quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E ONDE O FORAM BUSCAR?

– Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?…

MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?

– Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody’s, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram… passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?

Isso já não é comigo, eu só estou a explicar…

Como construir comunidades autónomas

Um pouco por todo o mundo começou um movimento social que visa a trazer equilíbrio à vida das pessoas, aproximando-as da natureza, e afastando-as de um modo de vida excessivamente competitivo que apenas tem trazido para a maioria escassez de recursos e uma vida social empobrecida a todos os níveis.
Desde trocas de experiências e competências, como fazer parte de redes comunitárias, como criar um banco e moeda local, tudo tem sido pensado.
Veja este link aqui.

Receando que este conteúdo seja retirado da web periodicamente, faço copy and paste em baixo:

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How to Get Ready for the Global Eco-Village Movement

9/27/2013 3:39:00 PM

Read more: http://www.utne.com/community/global-ecovillage-movement.aspx#ixzz33TJp4PLp

Why leave the city and join the village people, you may wonder? Are you tired of stress, anxiety, unhealthy food, chlorinated water, traffic jams, air and noise pollution, paying rent, not having time to pursue your real interests and passions?

Do you want to live a life more in balance with nature? Are you looking for more meaning in your daily life? More real connections with people, time in nature, time to pursue your interests and dreams, fresh food straight from the ground around you, deep sleep at night, bubbling streams, and cooing birds?

Living in an ecovillage may just be the antidote to many of the ills of modern urban life. Humans have lived in small settlements with close kin and extended tribal family in tandem with the cycles of nature for hundreds of thousands of years, and some psychologists say that current unprecedented levels of depression, stress, anxiety, drug addiction, and suicide are due to this fundamental disconnect from our past close relationships with each other and with nature.

An ecovillage is an intentional community committed to becoming more sustainable. In practice, this means that the resource inputs for the necessities of living come from local sources and are by and are by and large derived directly from nature in a way that allows nature to perpetually replenish itself and continually supply the needed materials. Ecovillages are also designed using whole systems design principles, to maximize overall quality of life for humans.

Here’s a 10-step guide to help you get started making the shift.


Community of Emerald Village Ecovillage in Vista, CA milking goats. Photo by Bryan Arturo.

1. Grow your community

  • The most important thing you can do to prepare is grow your community, your connections, your network. Solidifying relationships with an extended community of like-minded people is going to pay you back in a multitude of ways, opening up endless possibilities. The more you see other people living out their dreams, the more you will realize that yours are possible. Community can inspire and support you to live your dreams.

2. Join the Project Nuevo Mundo movement

       Connect with selected impact centers around the world matched to fit your interests and needs, and like-minded people on a search for transformation.

       Starting this winter, you’ll be able to participate by using the PNM network to find ecovillages and impact centers for work-exchange, trainings, and events.

       You can find us on Facebook and Twitter, or get a ticket to one of the events by supporting the  Earth Odyssey 2013 IndieGoGo Campaign.

 

Project Nuevo Mundo’s Earth Odyssey Logo

3. Acquire skills to use and share

        Get involved in the production of the food you eat: Learn how to grow your own food by connecting to a local community garden or building your own, meet other local gardeners, and put in hours to get experience and vegetables. Check out national community garden databases like American Community Garden Association. Some cities, like San Francisco, have urban garden maps. Or find a guide, like Shareable’s “How to Share a Vegetable Garden.”

        Go to local skill shares and connect to your local tool library. Check out http://www.skillshare.com/. Check Meetup’s skill-sharing section or Wikipedia’s global list of tool libraries. Live in a sharing desert? Learn How to Start Your Own Skillshare or Tool Library from Shareable.

        Experiment with making your own clothing and access opensource sewing on Burdastyle.com or trade clothes in a clothes swap.

        Attend a primitive skills gathering and acquire traditional indigenous skills. Check Meetup’s Primitive Skills section, with over 30,000 members.

        Make your own bike or buy a used one, and eliminate gas-fueled transportation locally. A simple “DIY bicycle” search will yield hundreds of results for interesting projects such as Bike Kitchens!

        Start working with your community by sharing resources.

 

An Introduction to Permaculture course at West Lexham, Photo courtesy of West Lexham.

4. Start using sharing economy networks

        Use Couchsurfing, Warm Showers (for cyclists), AirBnB when staying in new places. Use mealsharing platforms whenever possible, or share your left-overs.

        Use WWOOF, GrowFood, and soon Project Nuevo Mundo to exchange time for meaningful experiences, new skills, room, and board.

        Use Dhamma, a Vipassana meditation network of globally linked centers and volunteers, to attend “pay-it-forward” 10-day long meditation courses that teach valuable techniques in understanding your fears, desires, and consumer impulses, and eliminating them by finding internal peace and satisfaction. After attending your first course, volunteer in selfless service for the next retreat.

        Sign up and trade with or create a local timebank or local currency. Exchanges use different websites and systems so search for your town’s name plus the keywords  timebank, time exchange, LETS, barter or local currency.

       Create or join a gift circle. Start a Really Really Free Market.


Colleen Cary and others meditated during a retreat last month for those 18 to 32 years old at the Insight Meditation Center in Barre. Photo by Christine Peterson forThe Boston Globe.

5. Imagine your dream village

  • What would it look like? Who would live there? How would you spend your day? Start talking to other people, and see if there are others out there who share a similar vision. Sustainable Ecovillages is a social network to bring people together who have similar visions for building communities. Joining Facebook groups like Evolver and Visionary Culture can help you find others who share the same vision. Find a Meetup group near you that shares your interest.

6. Connect to local permaculture and sustainability projects, and DIY/maker spaces

        Use Wiser Earth to connect with local projects and Transition Network to check if your local community has a Transition Town movement, a community led response to climate change. If not, you can start one!

        Search the global database Makerspace and connect with local, DIY projects and the people who make them happen.

        Visit Permies.com and join a conversation about permaculture.

7. Live it

  • Take at least one month to live in a remote indigenous community or an ecovillage where local production and consumption is still the norm, and understand closed-loop living systems first-hand. Check out organizations like Ecuador’s Yanapuma. 

        Decide what kind of skills you would like to learn, and do your own research to find indigenous communities where those skills are prevalent (example: traditional healing with medicinal plants, crafting, hunting). There is currently no single database of indigenous communities that accept homestay, but Project Nuevo Mundo is working on one.

        Explore Living Routes, a program to “Study Abroad in Sustainable Communities.”

 

Annual Wisdom Kepper & Youth Council held at Deer Mountain. Photo by: Earth People’s United.

8. Focus on a trade or master craft

        Discover your passion in life. What makes you energized and enthusiastic? What brings out your creative burst? Gain experience by doing, and by apprenticing with a master or teacher who has successfully based their livelihood on the craft you desire to master, preferably something a community might need or want.

9. Learn and practice communication skills

        Practice “holding space”—the idea is to allow someone to express themselves without the pressures of being judged or being told that they need to improve. This might run contrary to the labels we give to the “conscious” or “sharing” movement—we often believe that we need to change people in order to bring them into the movement.

        Set aside our personal desires and our need to “improve” those around us. We may find ourselves guided by our collective purpose.

        Holacracy or Non-Violent Communication provide structures for good communication. Check out Holacracy.org’s post on “Differentiating Organization & Tribe.” According to the article, focusing on the collective purpose rather than individual needs allows a circle “to be more driven by its own unique purpose in life, like a child developing its own identity and goals beyond those of its parents.”

        Find a local circle to participate in that brings intention to communication, in non-violent communication circles or gifting circles, for instance.

        Identify yourself as an impartial “facilitator” during a house meeting with your roommates.

        Read more about collective decision-making in “How to Make Better Decisions Together,” on Shareable.

 

Getting ready for a community meeting at Atlantida Ecovillage in Cajibio, Columbia. Photo courtesey of Ecoatlandia.

10. Check out PNM’s recommended reading list, and dive in!

        Permaculture: An Introduction to Permaculture, Bill Mollison.Gaia’s Garden, Toby Hemenway. The Backyard Homestead, Carleen Madigan.

        Natural Building: The Hand-Sculpted House, Ianto Evans. Earthbag Building, Kaki Hunter & Donald Kiffmeyer.

        Ecological Economics: Small is Beautiful, EF Schumacher. The Steady State Economy, Herman Daly. Natural Capitalism, Amory Lovins. Sacred Economics, Charles Eisenstein.

        The Fifth Sacred Thing, Starhawk.

        Always Coming Home, Ursula K. Le Guin.

        Ishmael, Daniel Quinn.

 

 

Want to know more about Project Nuevo Mundo? Email contact(at)projectnuevomundo.org to find out how we will support your transition into the regenerative villages movement.

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